Bolsonaro foi responsável por apenas 1,74% das obras de transposição do Rio São Francisco, segundo documentos oficiais

As informações foram retiradas de dois relatórios elaborados pelo ministério comandado por Marinho.

Apesar de toda propaganda em torno das obras de transposição do Rio São Francisco e do proveito político que tenta tirar para sua campanha à reeleição, principalmente na região Nordeste do país, Jair Bolsonaro (PL) é responsável por apenas 1,74%% da conclusão dos serviços, de acordo com documentos do Ministério do Desenvolvimento Regional, comandado pelo potiguar Rogério Marinho, aos quais a Revista Fórum teve acesso.

As informações foram retiradas de dois relatórios elaborados pelo ministério comandado por Marinho. O primeiro, elaborado em abril de 2019, aponta que Bolsonaro assumiu a presidência com 96,9% da obra concluída. Os técnicos concluem que as obras de transposição foram finalizadas em 92,5% durante os governos de Lula e Dilma Rousseff.

Já em um novo relatório elaborado em janeiro de 2022, os técnicos revelam que Bolsonaro foi responsável pelo andamento de 1,74% da obra, o que resultou no avanço do projeto para 98,64% do total da obra de transposição.

Conforme publicado pela agência Saiba Mais, Bolsonaro participou no último dia 9 deste mês de uma inauguração da chegada das águas do São Francisco ao Rio Grande do Norte na cidade de Jucurutu, mas o evento terminou sem que a água tivesse chegado à cidade.

A barragem de Oiticica, localizada entre os município de Jardim de Piranhas, São Fernando e Jucurutu, será o primeiro reservatório a receber as águas do São Francisco no RN. No entanto, por um erro de cálculo, a água não chegou a tempo e até o fim do evento a barragem estava abastecida, apenas, com água de chuva. Na ocasião, uma fonte que acompanha o projeto de transposição antecipou a denúncia à agência Saiba Mais com exclusividade.

É uma mentira que concluíram as obras do São Francisco. O canal do Piancó, do Apodi, que é uma obra específica para RN, não foi nem iniciada e ainda deve levar de quatro a oito anos para ser concluída. Além disso, não foram feitos os portais de entrada para receber as águas, o Rio Piranhas não foi limpo, as bacias receptoras não foram preparadas e o governo federal não investiu no saneamento básico das 147 cidades que fazem parte da Bacia Hidrográfica Piancó-Piranhas-Açu, conforme está previsto no projeto. Essas cidades que possuem cerca de 1,5 milhão de habitantes não têm condições financeiras para executar o saneamento sozinhas e ele está parado em apenas 15%, apesar dessa ser uma exigência para a transposição”, denunciou nossa fonte que preferiu permanecer no anonimato para evitar perseguições políticas.

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