Debate sobre ética no jornalismo sem regulação das redes sociais não resolve os problemas, defende professora de comunicação da UFRN

Em uma semana com mais um ataque criminoso em uma unidade escolar no Brasil, veículos de imprensa anunciaram mudanças na política de divulgação sobre cobertura de massacres. O Grupo Globo, por exemplo, comunicou que o nome e a imagem de autores de ataques não serão mais publicados, assim como vídeos das ações. O objetivo seria impedir que a disseminação de informações inspirem outras pessoas a cometerem atos semelhantes. O assunto foi tema de entrevista no Balbúrdia desta sexta (7). Para a professora do Departamento de Comunicação Social da UFRN, Kênia Maia, a ação é necessária, mas está além do jornalismo.

“Cada um de nós hoje pode ser um produtor e um veiculador de conteúdos. Se a gente fica só nessa discussão da ética jornalística, passa a ser uma discussão muito século passado, quando éramos todos dependentes dos meios de comunicação para receber as notícias. É uma decisão acertada que foi tomada [pelos veículos de imprensa], mas isso roda numa velocidade estonteante pelas redes sociais. Eu preciso discutir ética jornalística também com a regulação de conteúdos nas redes sociais. Um sem o outro não resolverá questões”, defendeu.

Maia também ampliou o debate e falou sobre a precarização na área. Pesquisadora de teorias do jornalismo, ela comentou sobre a responsabilidade das empresas sobre como e o quê é veiculado.

“Quando eu falo de ética, parece que eu estou jogando toda responsabilidade sobre os ombros de uma pessoa individual que é aquele profissional. Não. O jornalismo é uma atividade coletiva. Existe, na maioria dos casos, uma empresa jornalística por cima”, afirmou.

A docente ainda criticou o jornalismo declaratório – quando se repercute a fala de alguém somente atribuindo as aspas, como um possível fator de desinformação. Assim, citou como exemplo o cercadinho do Palácio do Planalto em que o ex-presidente Jair Bolsonaro notabilizou ao dar entrevistas para a imprensa e conversar com apoiadores quando estava no cargo.

Em outro ponto, a professora defendeu o trabalho jornalístico mesmo com o avanço das inteligências artificiais. Para ela, a checagem das informações segue essencial e vai além do que um robô pode oferecer. 

“Os alunos que estão chegando agora [na faculdade] têm uma outra noção da tecnologia, e cabe à universidade sempre dizer que a vida não é só o que está nas redes sociais, que o jornalismo é muito mais do que isso e apontar esses debates”, frisou.

Confira a entrevista completa:

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