Sem votos e para priorizar a eleição do pai, Fábio Faria deve desistir de disputar o Senado

A meta política inicial do ministro das Comunicações era se candidatar a senador pelo Rio Grande do Norte, assim como o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que também é do estado e se filiou recentemente ao PL.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, não deve disputar qualquer cargo nas eleições de 2022. A informação foi publicada na tarde deste domingo (13) na coluna Malu Gaspar, no site de O Globo. Segundo a colunista, internamente, o governo Bolsonaro já trabalha com um cenário “em que Faria fique até o final do mandato de Bolsonaro e, depois, provavelmente vá para a iniciativa privada”.

O texto da coluna foi publicado às 16h35 e, às 17h54, foi atualizado com a informação de que o ministro potiguar, filho do ex-governador Robinson Faria e genro de Silvio Santos, nega que desistiu da disputa ao Senado pelo RN.

A meta política inicial do ministro das Comunicações era se candidatar a senador pelo Rio Grande do Norte, assim como o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que também é do estado e se filiou recentemente ao PL. Os dois , depois de muitas brigas internas e externas, têm se mostrado amigos nos últimos dias. Na visita que fizeram semana passada ao RN, acompanhando Bolsonaro, responderam em cima de palanques e a quem perguntou, que a decisão só será tomada no final de fevereiro.

Candidaturas dos ministros de Bolsonaro não decolaram no RN

A coluna de O Globo lembra o que o Saiba Mais já vem noticiando há vários meses: Rogério Marinho e Fábio Faria sabem que só há espaço para um candidato do governo federal no Estado e, mesmo assim, os dois aparecem em pesquisas com percentuais bem abaixo da liderança. Nas últimas sondagens, inclusive, Fábio Faria aparece à frente na preferência do eleitorado, mas Rogério Marinho, segundo a colunista, não quer abrir mão da candidatura.

As eleições de 2022 são muito importantes para a sobrevivência política dos dois ministros de Bolsonaro. Como a Agência Saiba Mais tem lembrando os dois são nomes importantes do bolsonarismo, mas com capital eleitoral em queda nos últimos anos. Rogério Marinho não conseguiu se reeleger deputado (após liderar a reforma trabalhista). Ele obteve 59.961 votos, mesmo sendo o 2º candidato que mais gastou na campanha, de acordo com dados oficiais do TSE. É ministro porque foi puxado pelo ministro Paulo Guedes para a equipe econômica, criou relações com o grupo familiar do Presidente e se desvinculou de Guedes – que já fez críticas severas à postura ética do ministro potiguar.

Já Fábio Faria, a reboque da ausência do Estado e do desempenho administrativo do pai à frente do Governo do RN, foi reeleito com uma das menores votações da bancada federal do RN. Obteve o apoio de 70.350 eleitores, menos da metade dos 166.427 votos que conquistou em 2014, quando foi o terceiro candidato mais votado. Chegou ao governo Bolsonaro por ser ‘genro de Silvio Santos’, como explicou à época o próprio presidente Bolsonaro.

Sem a tranquilidade do capital eleitoral, os dois precisam mais que nunca da ajuda da ‘máquina’ financeira Federal para sobreviver na política. E nessa corrida, Rogério Marinho parece ter menos opções, portanto não quer desistir.

Fábio Faria quer tentar eleger o pai

O texto da coluna de O Globo também aponta o principal motivo da possível desistência de Fábio Faria: ele não quer briga entre os governistas do Rio Grande do Norte, e quer dar ao pai a vaga para concorrer um mandato na Câmara dos Deputados.

“O ex-governador Robinson Faria enfrenta um processo por obstrução de Justiça, acusado de tentar comprar o silêncio de uma testemunha num processo relacionado a desvios de recursos na assembleia legislativa do Rio Grande do Norte”.

O processo teve o andamento suspenso em junho passado pelo ministro José Dias Toffoli, do STF – que este mês passou dias na casa de praia de Fábio Faria no litoral potiguar. Os dois se dizem amigos. O Ministério Público está recorrendo para tentar trazer o caso de volta à primeira instância.

Robinson também está em decadência política no RN. Deixou o Governo do Estado, há quatro anos, em grave crise financeira, devendo mais de quatro folhas de pagamento aos servidores. Com baixa avaliação, concorreu à reeleição mas nem chegou ao segundo turno.

Por Cledivânia Pereira

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